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Seguro Agricola e logistica, desafios distantes de solução no país  - Data: 03:08:2006 - Fonte: Reuters Brasil/ Roberto Samora 

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil tem uma incrível competitividade dentro da propriedade rural, mas uma combinação extraordinária de fatores que dificultam a superação dos desafios "fora da porteira", problemas distantes de solução, disseram especialistas em um seminário em São Paulo.

Entre os desafios mais citados no 5o Congresso Brasileiro de Agribusiness, e que acabam causando problemas "dentro da porteira", com a redução da renda do produtor, estão logística e infra-estrutura deficitária e a quase ausência de um seguro agrícola que seja capaz de socorrer os produtores no caso de problemas climáticos, como os verificados nas últimas duas safras, principalmente em 2004/05.

Segundo o presidente da Anut (Associação Nacional dos Usuários de Transporte de Carga), Paulo Manoel Protasio, há uma necessidade de investimentos na malha viária brasileira de 9,6 bilhões de reais nos próximos três anos, mas o orçamento da União para 2006 prevê apenas 700 milhões de reais em novas estradas e na recuperação das rodovias.

"O próprio Ministério da Fazenda afirma que não adianta dar mais dinheiro para o Ministério dos Transportes porque ele tem capacidade de gastar só 2,5 bilhões por ano," disse Protasio durante o seminário.

Em entrevista à Reuters no intervalo do congresso, o presidente da Anut explicou que o problema não é só de competência, mas sim de planejamento e gestão, para que os projetos possam ser executados em obras prioritárias e no tempo certo, sem que sejam perdidos os prazos para o gasto dos recursos.

"O que acontece é gestão, se tiver gente pró-ativa lá você vai poder gastar todos os recursos na hora certa e nos projetos certos."

Não apenas na área rodoviária há déficit de investimento, segundo Protasio. Hoje o Brasil conta com 28 mil quilômetros de ferrovias, "mas, se quiser atender as necessidades futuras, dobrar isso aí não vai bastar," disse ele.

De acordo com o presidente da Anut, na área portuária está o outro desafio do Brasil, que movimenta 90 milhões de toneladas ao ano.

"Até 2011, temos de equipar os portos para uma movimentação adicional de 45 milhões de toneladas," acrescentou, destacando ainda que 25 por cento da safra de grãos e oleaginosas do Brasil sofre com a falta de armazéns.

Embora acredite que o governo tem consciência dos problemas, ele admitiu que há um risco de queda em investimentos no setor, por temor de que as dificuldades logísticas impeçam um crescimento maior do agronegócio.

"Acho que o empresário tem medo de produzir porque não sabe se vai conseguir entregar. Diante disso, ele toma a decisão de não investir."

SEGURO

Já José Roberto, apontou, além das questões tributárias, cambiais e da elevadas taxas de juros do país que afetam a renda do produtor rural, a falta de um amplo sistema de seguro rural como outro problema sem solução no curto prazo.

"O seguro tem de ser a coisa mais importante na agenda do setor," disse ele, destacando que se os produtores fossem ressarcidos em eventuais perdas a inadimplência do setor rural seria bem menor.

"As crises de inadimplência ocorrem pelo fato de não haver um seguro rural... É preciso superar o histórico constante e recorrente de inadimplência no pagamento de dívidas rurais," acrescentou ele.

Outros especialistas no congresso lembraram que seria muito mais barato o governo investir em seguro do que gastar dinheiro para apoiar a comercialização ou renegociar dívidas.

Apesar de o atual governo ter conseguido aprovar uma lei para executar o seguro rural, Mendonça vê ainda o monopólio do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil) como algo que limita os investimentos no setor, até mesmo do capital estrangeiro, e consequentemente uma ampliação do sistema.

"A primeira coisa é acabar com o monopólio do IRB, coisa que não deve ocorrer neste governo, como foi prometido," disse ele, lembrando que todos os grandes produtores agrícolas do mundo contam com um seguro rural adequado. "É preciso aprimorar a gestão de riscos... Já que a logística é ruim, quanto mais barato se produzir, melhor".




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